27 junho 2017

Vou à “RUA” (Capitulo I)





Há momentos da vida que de tempos a tempos recordamos ao longo dos anos.

Abôl 
Hoje vou recordar momentos da minha juventude e senão mesmo da minha infância e recordo os tempos em que na companhia de meu pai, lá pelos anos 40 do século passado, em passando pelos mais variados lugares da Freguesia de Eja (Abôl, Eja e Ameixede) ouvia os locais em conversa com meu pai dizer “Amanhã vou à Rua e passo lá por casa” ou “Para a semana vou à Rua” ou ainda “Encontrei-me na Rua com ‘fulano’” e até mesmo aqueles que viviam mais afastados do “centro” como eu próprio dizia “Pai vou à Rua”.

Eja - Igreja



A Freguesia de Eja era à época (e ainda será!?) uma Freguesia que vivia essencialmente da agricultura. O lugar de Entre-os-Rios era então como que um entreposto de comunicações; o centro comunicacional, comercial e turístico de então. Era em Entre-os-Rios a Farmácia, os Correios, o nó que unia o concelho do Marco de Canavezes e Castelo de Paiva e era aqui também que havia uma feira mensal, daí ainda hoje se chamar ao Largo Dr. Baltar o Largo da Feira.

Largo Dr. Baltar (Largo da Feira)





Os tempos mudam com o passar dos anos, mas é um facto que nos últimos 40 essa mudança foi grande. Nem sempre me foi possível durante todo esse tempo seguir de perto essas mudanças, a vida tem condicionantes que nos levam para outras paragens, mas o regresso às origens é um bem que nem todos conseguem alcançar.

Igreja de S. Miguel - Eja
Capela de N.S. da Cividade - Eja



A Freguesia de Eja transformou-se ao longo destes anos; passou de um centralismo em Entre-os-Rios para uma descentralização, sobretudo habitacional; tendo os restantes lugares da Freguesia alcançado um desenvolvimento jamais previstos muitos anos atrás. Assim se foi desertificando a outrora Metrópole, por isso, hoje, já ninguém diz “Vou à Rua” porque as necessidades de outrora já não são tão prementes. Hoje “Vou a Entre-os-Rios” e vêem cá para um passeio, para uma festa, para um espectáculo, enfim, para diversão.
Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios


Há uma verdade que sem justificar tudo, justifica alguma coisa. A topografia de Entre-os-Rios não facilita o seu desenvolvimento, limita-o; não é, no entanto, uma justificação para a sua estagnação. Vontade, imaginação, voluntarismo e algum saber serão sempre necessários para ultrapassar essa condicionante.

Alguma coisa se tem feito e os Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios (dos quais sou o sócio nº 38) tem sido um exemplo da capacidade que as gentes da terra, em comunhão com as gentes da Freguesia de Eja, têm para um desenvolvimento importante e desejado. No final, para bem de toda a Freguesia de Eja. Mas se os BVE são um exemplo visível no dia a dia outros serão importantes como o grande espectáculo da semana passada com o apoio da Câmara Municipal de Penafiel e com o apoio sempre presente na pessoa do seu Presidente Dr. Antonino de Sousa.
Outros exemplos seguem na esteira do desenvolvimento da Freguesia e de todos os Ejenses. Desses, alguma coisa diremos no 2º Capitulo.

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