Muitos
de nós que nasceram nas aldeias deste Portugal, para terem melhores condições
de vida viram-se na necessidade de logo cedo e ainda jovens migrarem,
normalmente para as cidades mais próximas e ainda outros já mais adultos para
uma imigração longínqua.
Tive
por “vontade” ainda muito novo migrar para o Porto mais tarde “engajado” para a
tropa e aí, na altura, “migrado” em Angola (hoje seria um imigrante ou “mercenário”,
tempos!)

Chegou
enfim o tempo de regresso mais pousado às origens; já profissional, já assente
na vida. É então que se dá o reencontro com os antigos colegas, os “inamovíveis”,
os que as circunstâncias da vida não lhes permitiu outras oportunidades. Entre
eles distingo um grande parceiro e amigo, o Alcino.
Já
não estávamos em altura de jogar ao Pião ou Carolo mas a pesca seria uma boa
prática para os dias de folga. O Alcino que por cá tinha ficado “apropriou-se”
pelo então maravilhoso rio Douro e logo ficou um dos grandes mestres da pesca
da zona. E é nesta época que criamos uma parceria de pesca à linha.
O
Alcino conhecia o rio tão bem como o Dr. Manuel, o Dr. Carvalho Mendes ou o Snr.
Luís Alves do restaurante Miradouro.
Como
o Alcino conhecia os sítios certos lá íamos a “penates” ao longo das margens
procurar os melhores locais e sempre condicionados, na altura, pelas descargas
da barragem do Carrapatêlo, estas alteravam as correntes que condicionavam os
chamados “fios de água”, os locais ideais para a pesca do Muje. Esta foi a
época mais fabulosa da pesca na nossa terra, foi então que nos decidimos por um
“barquito” com um pequeno fora de borda igual ao já existente do Dr. Manuel.

É
bom que fique registado que enquanto eu pescava um Muje o Alcino pescava três,
devia ser uma atracção inexplicável, mas foram tempos inesquecíveis até que a
barragem de Crestuma-Lever começou a “implodir” o rio em 1985.
Finava
o velho Rio Douro e nascia o novo Rio Douro igualmente belo mas não tanto
quanto antes.
Em
1985 é o ano que põe termo à nossa parceria e é também o ano que por razões de
assunção doutras responsabilidades profissionais me impediam de uma presença tão
frequente como antes.
O
Alcino faleceu o ano passado, foi pescado para o Paraíso.
Paz á sua Alma. Recordo-me do Snr. Alcino que morava numa casinha de r/c enfrente á loja do Acacinho Alves, primo da minha mãe. Recordo-me com saudade da pescaria anual em que se ia em vários barcos e se levava os alimentos para fazer o almoço na margem do rio, vinho a rodos e até café e bagaço se levava! Uns preparavam o petisco, às vezes feijoada(tripas)por vezes fevras etc.! Outros pescavam! Bons tempos!
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