30 março 2007

Toponímias

Quando a obra não existe ou a obra é pequena há que fazer algo por mais inútil que seja. Parece que chegou a hora das autoridades locais meterem mãos à obra.

Irá Entre-os-Rios, o velho Burgo, com tradições centenárias ceder às politiquices?

Nomes como:

Rua das Catalpas;
Rua de Ventozela;
Rua da Pesqueira;
Rua da Fonte da Nogueira;
Rua de Tojeiros;
Travessa do Passal;
Travessa da Nora;
Etc.

Ruas cujo nome se perde no tempo e que as gentes locais foram baptizando pelo seu sentido de oportunidade e objectividade. Irão agora ser substituídos por nomes de políticos ou figuras que nada fizeram por esta terra, que nunca por cá passaram ou que mais contribuíram para a sua estagnação?

Parece existir gentes que teimam em não ver no passado a âncora do futuro com as suas tradições, os seus costumes, os seus valores.

Desta minha preocupação dei conhecimento ao Presidente da Junta de Turismo de Entre-os-Rios, Snr. Armando Pinto Lopes, do qual transcrevo parte do Mail que me enviou:
....

De facto a Junta de Freguesia reiniciou o processo (que já vinha da junta anterior) de toponímia que culminará com a colocação de placas de identificação nas ruas da freguesia.

Esse processo foi sujeito a consulta publica que decorreu, desde o passado dia 15 de Janeiro até ao dia 15 de Fevereiro.

Dentro desse prazo, em nome da Junta de Turismo, apresentamos algumas reclamações e sugestões conforme o apelo feito pela Junta de Freguesia.

Entre-os-Rios já nos meados do século XII integrava uma mancha de franco desenvolvimento, devido sobre tudo ao comércio fluvial e terrestre que por aqui passava. Por isso, foi chamado "burgo" o que é um dos raros exemplos de povoação rural aglomerada do entre Douro e Minho.

Nos últimos 25 anos do século XIX e no primeiro quarto do século XX, esta povoação ribeirinha teve um surto de desenvolvimento que a honrou com a classificação de sala de visitas do concelho de Penafiel.

Em 1887 foi inaugurada a Ponte Hintz Ribeiro; em 1894 foram criadas as Termas da Torre; em 1895 foi fundado o Clube Foz do Tâmega; em 1897 foi inaugurado o Telegrafo; em 1898 foram proibidos de chiar os carros de bois dentro da povoação, privilégio só concedido às vilas e cidades do País;1904 fundação da Sociedade Comercial de Alquilaria; 1910 a firma J Pinto Lopes & Filhos funda a empresa de Viação Paivense, com sede em Entre-os-rios; em 1915 dá-se a chegada da linha de caminhos-de-ferro a Entre-os-Rios; em 1921 é criada a Junta de Turismo das Águas de Entre-os-Rios; em 1923 é fundada a Associação dos Bombeiros Voluntários de Entre-os-rios; em 1927 é criada a Associação para a Defesa e Desenvolvimento de Entre-os-rios; em 1936 dá-se o início das obras para a construção da ponte Duarte Pacheco.

Ora se para conseguir tudo isto e algo mais, houve homens que empenharam muito tempo, dinheiro e influências de vários níveis, achamos justo que alguns deles tenham os seus nomes perpetuados nas placas toponímicas desta localidade. Assim como entendemos que na parte rural da freguesia sejam respeitados os nomes porque, desde há séculos são conhecidos. Mas, repetimos, Entre-os-Rios é considerado "burgo" desde há séculos e classificada como zona turística e não uma aldeia rural.

Todavia, em vez dos nomes que contribuíram para o meio século de progresso desta terra, estão a ser propostos nomes que durante 50 anos foram os seus coveiros. Isto fizemos sentir ao Sr. Presidente da Junta.

É triste verificar que em Entre-os-Rios fechou a escola, e não podemos esquecer que os primeiros responsáveis são todos aqueles que têm as habitações abandonadas e em ruínas não as vendendo nem alugando.

Outros têm terrenos que não vendem nem urbanizam, esquecendo-se que as pessoas são o maior património da humanidade e que sem habitações esse património não pode ser preservado.

...

Perante isto estaremos perante a inevitabilidade de uma catástrofe “Toponimical”?

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